Wednesday, 15 February 2017
Isso de ser chefe
Friday, 10 February 2017
Os chefes
Saturday, 4 February 2017
O mundo começa aqui
Thursday, 2 February 2017
Ser-se rico
Wednesday, 1 February 2017
O primeiro dia do resto da minha vida
Monday, 30 January 2017
A Padaria Portuguesa
Tinha pensado nao me pronunciar relativamente à mais recente polémica que gira em torno dos comentários rios feitos por um dos sócios-fundadores da cadeia “A Padaria Portuguesa”. Tenho lido muitas opinioes opostas.
Um dos textos que li sobre o assunto, critica a “mentalidade de empregado” que os portugueses parecem ter, estando disposto a fazer apenas o mínimo e que o ordenado mínimo para um empregado de loja era absolutamente razoavel.
Em primeiro lugar, acho que não é com o facto de terempregados com o ordenado minimo que se prende esta polémica. É o facto de querer flexibilizar as horas trabalhadas sem uma remuneracao que acompanhe essa flexibilidade e querer flexibilizar os despedimentos.
Eu percebo a visão deste senhor. E num sistema perfeito, aquilo de que ele fala, poderia ser bastantebenéfico para ambas as partes, permitindo o tal “entendimento” entre empregado e empregador, de que o senhor fala.
O problema é que, em Portugal, temos um sistema quenão permite esse entendimento, a partir do momento em que vivemos num sistema em que, até certo ponto, o poder está só do lado do empregador. A partir do momento em que uma entidade tem uma vaga de trabalho, num país em que tal é escasso, em terra de cegos, quem tem um olho é rei.
Num dos meus trabalhos, onde éramos bastante bem remunerados, constava no contrato de trabalho que as horas de trabalho eram as necessárias à “boa performance”. Este trabalho não era em Portugal, onde, felizmente, a lei nao permite que tal seja vinculado contractualmente, mas para este efeito,não deixa de ser um bom exemplo, duma mentalidade que é semelhante em Portugal. Depois de um mês de trabalho, uma das minhas colegas percebeu que o tal horário necessário para “boa perfomance” não lhe era possível. Tinha hora para ir buscar o filho á creche, um marido com horários também extensos e não tinha família para dar algum suporte. Tentou um acordo, no qual, continuaria a utilizar todo o seu potencial, que em muito beneficiava a companhia, continuaria a fazer horas, mas teria que entrar mais cedo, para sair a horaa de ir buscar o puto. Não só isso não foi aceite pela entidade empregadora, como foi pressionada a desperdir-se por se mostrar inapta para aquele trabalho. Deram-lhe um “ou pega ou leva”. Neste caso, a empregada em questão tinha capacidade económica para decidir que não pegava nada. E, vos garanto, perdeu-se alguém muito bom para aquele trabalho, do ponto de vista técnico. Outros havia, na mesma situação, que não tinham a mesma opção de escolha.
Relativamente à flexibilidade dos despedimentos, eu até percebo. Despedir alguém cuja performance não seja satisfatória é uma grandecissima carga de trabalhos. O problema é que mais que problemas de performance, aquilo que eu vejo, são choques de personalidade. E vejo chefes, também empregados, a fazerem vidas miseráveis, porque também eles são, enquanto gestores de pessoal, incompetentes. E é isso que é perigoso. Além disso, nos países onde os despedimentos são flexíveis, não se verifica a taxa de desemprego portuguesa. O trabalho ou encontra-lo é flexível na mesma proporção.
Eu acho que o senhor até tinha boas intenções. Não acredito que fosse arriscar o seu negócio em prol da defesa de uma nova esclavatura, no entanto, estava, sem dúvida, a pensar apenas e só no próprio umbiguinho, ignorando um sistema que pode não ser o dele, mas é o português.
Finalmente, tenho que acrescentar que, depois de 6 anos a trabalhar fora de Portugal, em entidades com 26 nacionalidades diferentes, essa história que os portugueses não são produtivos, é puro mito.