Monday, 30 January 2017

A Padaria Portuguesa

Tinha pensado nao me pronunciar relativamente à mais recente polémica que gira em torno dos comentários rios feitos por um dos sócios-fundadores da cadeia “A Padaria Portuguesa”. Tenho lido muitas opinioes opostas.

Um dos textos que li sobre o assunto, critica a “mentalidade de empregado” que os portugueses parecem ter, estando disposto a fazer apenas o mínimo e que o ordenado mínimo para um empregado de loja era absolutamente razoavel.

Em primeiro lugar, acho que não é com o facto de terempregados  com o ordenado minimo que se prende esta polémica. É o facto de querer flexibilizar as horas trabalhadas sem uma remuneracao que acompanhe essa flexibilidade e querer flexibilizar os despedimentos. 

Eu percebo a visão deste senhor. E num sistema perfeito, aquilo de que ele fala, poderia ser bastantebenéfico  para ambas as partes, permitindo o tal “entendimento” entre empregado e empregador, de que o senhor fala.

O problema é que, em Portugal, temos um sistema quenão  permite esse entendimento, a partir do momento em que vivemos num sistema em que, até certo ponto, o poder está só do lado do empregador. A partir do momento em que uma entidade tem uma vaga de trabalho, num país em que tal é escasso, em terra de cegos, quem tem um olho é rei.

Num dos meus trabalhos, onde éramos bastante bem remunerados, constava no contrato de trabalho que as horas de trabalho eram as necessárias à “boa performance”. Este trabalho não era em Portugal, onde, felizmente, a lei nao permite que tal seja vinculado contractualmente, mas para este efeito,não  deixa de ser um bom exemplo, duma mentalidade que é semelhante em Portugal. Depois de um mês de trabalho, uma das minhas colegas percebeu que o tal horário  necessário para “boa perfomance” não lhe era possível. Tinha hora para ir buscar o filho á creche, um marido com horários também extensos e não tinha família para dar algum suporte. Tentou um acordo, no qual, continuaria a utilizar todo o seu potencial, que em muito beneficiava a companhia, continuaria a fazer horas, mas teria que entrar mais cedo, para sair a horaa de ir buscar o puto. Não só isso não foi aceite pela entidade empregadora, como foi pressionada a desperdir-se por se mostrar inapta para aquele trabalho. Deram-lhe um “ou pega ou leva”. Neste caso, a empregada em questão tinha  capacidade económica para decidir que não pegava nada. E, vos garanto, perdeu-se alguém muito bom para aquele trabalho, do ponto de vista técnico. Outros havia, na mesma situação, que não tinham a mesma opção de escolha.

Relativamente à flexibilidade dos despedimentos, eu até percebo. Despedir alguém cuja performance não seja satisfatória é uma grandecissima carga de trabalhos. O problema é que mais que problemas de performance, aquilo que eu vejo, são choques de personalidade. E vejo chefes, também empregados, a fazerem vidas miseráveis, porque também eles são, enquanto gestores de pessoal, incompetentes. E é isso que é perigoso. Além disso, nos países onde os despedimentos são flexíveis, não se verifica a taxa de desemprego portuguesa. O trabalho ou encontra-lo é flexível na mesma proporção. 

Eu acho que o senhor até tinha boas intenções. Não acredito que fosse arriscar o seu negócio em prol da defesa de uma nova esclavatura, no entanto, estava, sem dúvida, a pensar apenas e só no próprio umbiguinho, ignorando um sistema que pode não ser o dele, mas é o português.

Finalmente, tenho que acrescentar que, depois de 6 anos a trabalhar fora de Portugal, em entidades com 26 nacionalidades diferentes, essa história que os portugueses não são produtivos, é puro mito. 

 

Wednesday, 25 January 2017

Procurar trabalho

 

Um dos erros mais comuns que se fazem quando se procura trabalho é pôr os ovos todos no mesmo cesto. Porque não se quer ter trabalho, porque aquele trabalho é que era, porque para aquele temos o amigo que passa referências. 
Procurar trabalho é um processo difícil. Há 10 cães a um osso e os motivos pelos quais se escolhe uma pessoa em preterimento de outra podem ser bastante aleatórios. Em termos de auto-estima é uma merda, porque é difícil não ver a coisa de forma pessoal.
Um dos meus conselhos para quem procura trabalho é partir do princípio que se vão encontrar, pelo menos, 20 rejeições. Porque cada não que se recebe, está-se mais perto do sim. 
Isto ajuda, não só a manter forças nessa demanda, como a sentir menos pressão a cada entrevista. Além disso, fazer entrevistas, é como tudo o resto na vida. Praticar praticar praticar é essencial. Por isso, cada entrevista que corre mal é uma certeza de que se vai fazer melhor na próxima.
Para mim, isto sim é optimismo. Optimismo não é achar-se tão bom que se consegue tudo à primeira. É saber que se chega lá mesmo contra todos os dissabores, obstáculos e insucessos. 

Sunday, 22 January 2017

O que é Life Coaching

 

Coach significa treinador em Inglês. Traduzindo à letra, Life Coaching é treino da vida. 
A função de um treinador de desporto é ajudar o atleto a desenhar estratégias e exercícios para maximizar o seu potencial. Em paralelo, trabalha também a sua motivação, dedicação, esforço e disciplina. 
Um Life Coaching faz exactamente o mesmo. Ajuda um cliente a descobrir esse potencial, os seus pontos fortes e a desenhar a melhor estratégia para alcançar o máximo potencial. Isto pode refletir-se no trabalho, nas relações, na auto-estima, etc. 

Os principais motivos pelos quais as pessoas procuram um Life Coach são:
- necessidade de melhorar produtividade e motivação;
- indefiniçao de objectivos e necessidade de clarificar e organizar o futuro;
- necessidade de sentimento de realização;
- necessidade de melhorar criatividade;
- falta de auto-estima;
- necessidade de melhorar relações inter-pessoais;
- adquirir novos recursos, capacidades e/ou ferramentas.

Como funciona?
Há várias metodologias para o Coaching. No meu caso, acredito que 4 a 6 sessões são suficientes para cada objectivo. Acontece, por vezes, o cliente sentir necessidade de voltar a recorrer a um Coach, devido a novas circunstâncias ou por se sentir preparado para temas que não foram abordados inicialmente, masregra  geral, não são necessárias mais que 6 sessões para fazer a diferença.
Estas sessões são constituídas maioritariamente por perguntas. Quando bem feitas, estas perguntas, servem para estimular o cliente a ver diferentes perspectivas, a provocar ideias pre-concebidas, relativizar certas assumpções, descobrir respostas. 
No meu caso, também utilizo exercícios desenhados espeficicamente para determinadas problemáticas e que permitem esquematizar e visualizar panoramas.
Um Coach nunca dirá a um cliente o que deve fazer. No final de contas, cada cliente conhece a sua própria realidade como ninguém e, por isso, é dono da sua verdade. A função do Coach é permitir uma visão de 360 graus para que o Cliente possa tomar decisões informadas e com confiança. 

Saturday, 21 January 2017

A força do hábito de Charles Duhigg

 

Adorei este livro logo na introdução. Isto porque começa por explicar algo que advoco há muito, mas com os dados científicos que me faltavam. Eu, o que tenho, é a minha experiência de que pequenos detalhes fazem uma grande diferença.

O livro começa por contar a história de uma senhora que estava atolada em dívida, fumava que nem um cavalo e sofria de obesidade. Esta senhora descobriu que o marido a traída e resolveu endividar-se ainda mais para viajar até ao Cairo. No final das suas férias, em depressao com o regresso à realidade, decide deixar de fumar. Não que deixar de fuma seja uma pequena diferença, mas isso deixamos para outros posts. O que é importante aqui é que esta senhora tinha muitas pontas por onde pegar. Escolheu esta. Talvez no seu quadro de miséria, este fosse o mais fácil. A partir daqui, começou a correr para se distrair e, actualmente, tem um novo trabalho, zero dívidas, corpo de atleta e corre maratonas. E o que o livro nos diz é que uma mudança originou um efeito dominó que acabou por levar a uma volta de 180 graus.

Segundo o livro, exames cerebrais, permitiram verificar que a cada vez que era analisada, a região do cérebro associada à disciplina e capacidade de cumprir regras,  aparecia nais desenvolvida. Isto prova que disciplina, esse grande flagelo das nossas vidas, pode, tal músculo, ser exercicitada, pouco a pouco. Começando com pouco peso para se ir aumentando a sua capacidade.

Eu costumo contar que em momentos diferentes da minha vida, pequenos detalhes fizeram uma grande diferença, gerando o tal efeito domino que alterou todo um panorama.

Recentemente, decidi passar a acordar todos os dias às 6h da manhã. Sem outro propósito que esse mesmo, acordar cedo. Não decidi acordar para correr ou para chegar mais cedo ao trabalho. Impus-me apenas e só esse objetivo. Todas as manhãs aproveito para fazer várias coisas, conforme necessidades ou o que me apeteça. Seja limpar a casa, seja ler um livro, seja fazer hula hoop, o meu mais recente hobbie. Isto implica deitar-me mais cedo. As minhas insónias diminuíram consideravelmente. A forma como giro o tempo melhorou. A quantidade de livros lidos ou ouvidos também aumentou. A parte melhor, o meu humor, energia e motivação nunca foram melhores.

O que eu aconselho a alguém com vontade de mudar (e somos tantos) é tentar incluir ou excluir algo da sua vida. Conheço casos em que deixar de comer chocolate ou hidratos ou passar a caminhar 10 min, ou passar a ler 15, fizeram toda a diferença. O céu é o limite e podemos escolher algo pequeno que facilmente mostre um benefício. Nem que seja o da força de vontade. 



O que é Fill the Gap?

 

Fill the Gap é, na minha opinião, o principal trabalho de um Life Coach. 
Traduzindo para português, Fill the Gap significa preencher a lacuna e é isso que eu, enquanto Life Coach tento fazer.
Acho que, por vários motivos, temos dificuldade em ver os 360 graus daquilo que somos. Porque há pontos mortos, porque há emoções que nos toldam a vista, porque a tendência é para que não olhemos para nós próprios.
Um bom Coach ajuda a encontrar objectivos, competências, motivação e auto estima e a preencher essa grande lacuna que pode ser a visão que temos de próprios. 

De volta a casa



 

Dizem que nunca mais se volta a casa.
Depois de 6 anos a viver na Irlanda e de 11 anos a trabalhar em multinacionais americanas, deu-me uma espécie de grito do Ipiranga e mandei tudo à fava.

Despedi-me e decidi que era momento de regressar às origens, ao bom tempo e à beira mar.

Comigo levo algumas poupanças, muitas experiências, uma grande vontade de aventura e a minha parceira de todas as horas, a Balti Maria, a cadela mais linda do mundo.

Dizem que vou sentir-me uma turista em casa. E é para isso que servirá este blog. Contar as minhas aventuras, mostrar a minha visão e exibir a Balti Maria, a cadela mais linda do mundo.